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  • Edição 08

    ANO III - ABR A JUN/2017

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    Artigo

    Trabalhando em prol do saneamento e da saúde

    em 03 de Abril de 2017

    Um menino nasceu, o mundo tornou a começar. (Guimarães Rosa)

    Neste Dia do Trabalho, a Revista Canal homenageia os profissionais que trabalham em prol do melhor saneamento, e que são também considerados profissionais da saúde, uma vez que se dedicam ao nosso futuro: as crianças. Assim, é muito oportuno nos inspirarmos em Guimarães Rosa, que escreveu com maestria sobre uma época e uma região do sertão mineiro onde as condições de saneamento básico eram quase inexistentes.

    A água tratada muito escassa e, mesmo a sem tratamento, nem sempre disponível, se somavam aos rios infestados por caramujos transmissores de esquistossomose. O resultado era cruel para os mais jovens, quando as doenças diarreicas imperavam como grandes responsáveis pela alta mortalidade e as verminoses eram comuns na vida diária de crianças e adultos.

    Se recuarmos poucas décadas na história do Brasil, encontramos altas taxas de mortalidade infantil, muito em função do cenário tão bem descrito pelo romancista. No ano de 1980 foi registrada uma taxa de 70 óbitos de menores de um ano para cada 1.000 nascidos vivos, estando a diarreia entre as principais responsáveis. Hoje o Brasil apresenta uma Taxa de Mortalidade Infantil abaixo de 15 para cada 1.000 nascidos vivos. Um grande avanço, que ainda indica um grande desafio.

    Dra. Heleny Machado

    Com mais de 35 anos de experiência como pediatra do sistema público nos mais distantes rincões do Brasil, a Dra. Heleny Machado concedeu entrevista à revista sobre o tema da saúde infantil e as transformações das últimas décadas.

    Como a infraestrutura afeta a saúde infantil no caso brasileiro?

    A redução da natalidade, o acesso à água e esgoto devidamente tratados, a melhoria das condições habitacionais e a imunização são os grandes responsáveis pela diminuição da mortalidade infantil. Os micróbios (bactérias, vírus ou parasitas) que causam diarreia aguda são transmitidos pela água ou alimentos contaminados ingeridos. Vale lembrar ainda da presença dos agrotóxicos e dos metais pesados na água, que também se controla com água e esgotos tratados. Ora, mesmo ainda estando aquém do ideal, algumas cidades brasileiras já alcançaram muito bom nível de saneamento básico, mas a situação ainda é muito desigual. Os piores índices ainda estão nas regiões Nordeste e Norte do país.

    Quais os efeitos das doenças transmitidas pela água nas crianças? E quais as consequências?

    As crianças estão mais sujeitas à desidratação que é causada pelas perdas líquidas e, dependendo do estágio da desidratação, pode evoluir para um quadro grave, sendo necessária internação. É claro, também, que há perdas de nutrientes e outras graves repercussões sistêmicas que podem levar à desnutrição aguda e anemias, entre outros problemas.

    Que medidas você considera importantes para a defesa da saúde infantil hoje?

    Continuar as estratégias para alcançar a meta de universalização do saneamento básico no país, que está ainda abaixo de 50% da população, se considerarmos a média da população brasileira. E ainda incentivar o aleitamento materno em menores de seis meses; Ampliar a cobertura vacinal dos menores de cinco anos; combater o surgimento de mosquitos transmissores das arboviroses; melhorar o padrão educacional das famílias; garantir boas condições de habitação e aumentar a cobertura e a qualidade do pré-natal.

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