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  • Edição 19

    Ano VIII - Agosto 2021

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    Entrevista

    Teresa Vernaglia assume a presidência da ABCON SINDCON

    em 19 de Agosto de 2021

    A ABCON SINDCON renovou seu Conselho de Administração para o período 2021-2023

    Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, sucede no cargo Carlos Henrique da Cruz Lima (Grupo Águas do Brasil) e se torna, assim, a primeira mulher a comandar a entidade, como presidente.

    Engenheira com especialização em gestão de negócios, Teresa ocupa posições de liderança na área de infraestrutura há 25 anos, tendo participado do processo de universalização dos setores de telecomunicações e energia. A executiva liderará o segmento privado do saneamento no enfrentamento do desafio de proporcionar à população o acesso universalizado aos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto.

    Nesta entrevista, ela fala sobre os desafios e prioridades de sua gestão. Confira:

    Revista Canal – Quais são os principais desafios que sua gestão deve enfrentar? Quais as prioridades?

    Teresa Vernaglia – São dois os principais desafios. O primeiro é a consolidação do Marco do Saneamento, a Lei 14026/20, atuando no tripé que será a base desta consolidação. São eles o processo de regionalização, que está em andamento; a efetivação do decreto de capacidade econômico-financeira, editado em maio; e a agenda regulatória, de fundamental importância para o setor no longo prazo. Esta será liderada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e deverá entregar 23 normas de referência até o final de 2022, conforme sua agenda para 2021-2022. O segundo desafio é seguir o trabalho que vem sendo construído com êxito nas gestões anteriores da entidade, de fortalecimento da ABCON como a voz de credibilidade para transformação do saneamento no país.

    R.C. – Qual a sua visão do setor?

    T.V. – O saneamento talvez seja, dentro do setor de infraestrutura, aquele com maior impacto ambiental e social. Para fazer frente aos investimentos necessários, da ordem de R$ 700 bilhões nos próximos 10 a 15 anos, o setor passará por uma profunda transformação. Será necessário formar profissionais, desenvolver a cadeia de suprimentos, com decisões sobre ampliação e construção de novas fábricas, por exemplo. O saneamento estará na agenda de fornecedores de equipamentos e de prestadores de serviços. Decisões tecnológicas terão maior relevância na busca por eficiência e no trato das questões ambientais.

    R.C. – Em relação às demais universalizações, de setores da infraestrutura, a do saneamento é mais complicada?

    T.V – O maior desafio de qualquer setor de infraestrutura é a segurança jurídica para o investidor. No saneamento, temos uma descentralização regulatória em função da interpretação majoritária de que o serviço de saneamento é de interesse local e, portanto, sua regulação também. Neste sentido, poderíamos, no limite, ter até 5.570 agências reguladoras do saneamento emitindo normas. O Marco do Saneamento buscou endereçar isso dentro dos limites constitucionais, atribuindo à ANA a responsabilidade de editar normas de referência para todo o país, apresentando as melhores práticas regulatórias e, dessa forma, aumentando a segurança jurídica.

    R.C. – Quais foram as conquistas de que mais se orgulha até aqui em nome do setor? E o que almeja ainda alcançar?

    T.V. – Ter participado de forma ativa, desde o início, das discussões que culminaram na aprovação da nova Lei foi uma experiência muito gratificante. O Marco do Saneamento foi a pedra angular para esse novo momento do setor. Agora temos que torná-lo realidade, promovendo-o de norte a sul para que os mecanismos ali propostos promovam as mudanças que o setor precisa.

    R.C. – O fato de você ter se tornado a primeira mulher a dirigir a associação tem um significado especial?

    T.V. – Ser presidente de uma associação com a envergadura da ABCON, e com uma agenda que será transformadora para o setor nos próximos dois anos, é uma grande responsabilidade. O fato de ser mulher é emblemático. Aponta para o futuro, para uma agenda também da diversidade, ligada com a pauta ASG (ou ESG, na sigla em inglês). Ter uma liderança feminina é uma mensagem de avanço e um incentivo para a presença de mais mulheres no setor.

    R.C. – Qual a sua expectativa a respeito do novo planejamento estratégico da entidade?

    T.V. – A implementação e consolidação do Marco do Saneamento é a nossa bandeira para fora. Entendo que, internamente, temos o mesmo desafio com o planejamento estratégico. Ele foi amplamente debatido entre todas as associadas e traz aspectos importantes de aperfeiçoamento da nossa governança corporativa, bem como dos processos e programas. Minhas expectativas são elevadas.

    R.C. – Para quem está chegando no setor agora e vai se associar à ABCON SINDCON, qual o recado?

    T.V. – Os que estiverem chegando no setor, encontrarão na ABCON SINDCON uma entidade referência para debater e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas relacionadas ao saneamento.

    R.C. – Como a ABCON SINDCON poderá contribuir nos próximos anos para elevar a qualidade de vida a partir do saneamento?

    T.V. – Defendendo a consolidação do Marco legal do Saneamento, um ambiente jurídico e regulatório seguro e previsível para os vultuosos investimentos necessários, bem como contribuindo para a qualificação e a expansão dos projetos para concessão. Com isso, mudaremos a vida de milhões de brasileiros que ainda sofrem dos efeitos principais e acessórios que a falta de saneamento acarreta.

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