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  • O que esperar do futuro?

    26/08/2015

    Eng. Civil Álvaro Menezes

    Vice-presidente da ABES

    Há não mais que cinquenta anos se exaltava o fato do Brasil ser o país do futuro, uma potência que desabrocharia em pouco tempo com todo vigor da força oriunda do seu gigantismo pela própria natureza. Estar deitado em berço esplêndido talvez seja o que caracterize de fato a personalidade de quem não sabe quem é, onde está, nem para onde vai, pois afinal um gigante não deveria estar acomodado em um berço, ainda que esplêndido. Os últimos acontecimentos que podem representar – pois nunca se sabe o que ainda vai acontecer – o ponto culminante do jeito lulopetista de governar, colocam quase por terra todas as conquistas reais que aconteceram nos últimos anos em vários setores da sociedade.

    Entre eles, não dá pra deixar de reconhecer toda competência e capacidade técnica que a engenharia nacional tem e que está diretamente associada ao desenvolvimento econômico, a qualidade de vida nas cidades, a mobilidade tão em voga hoje, às tecnologias disponíveis em áreas estratégicas de telecomunicações, energia e petróleo, o que pode ser resumido como o papel primordial deste setor para que a infraestrutura necessária ao crescimento do país rumo ao seu destino de gigante se confirme.

    Dentro deste conceito a área de prestação de serviços públicos, que tem demonstrado toda sua capacidade de sobrevivência e adaptação aos humores políticos eleitorais tão prestigiados pelo lulopetismo, está sob iminente risco de ver avanços legais, administrativos e institucionais serem incluídos no pré-concebido projeto de poder patrocinado pelo jeito Lula de usar o Brasil para ilude os miseráveis, mais pobres e pobres, enriquecer cada vez mais os de sempre e colocar na lista de grandes fortunas quem nunca imaginou que pudesse estar onde está. Importantes possibilidades de mudar conceitos, modelos e sistemas de gestão de serviços públicos nos setores de saneamento, energia e transporte estão em cheque após a constatação de casos de corrupção – alguns devidamente confessados e assumidos – flagrados pelo dedicado trabalho da polícia e da justiça federal.

    Confundir oportunidades de parcerias e contratos com empresas privadas por meio de PPP – Parceria Público Privada e Contratos de Concessão fundamentados em instrumento legais com corrupção, é alimentar a velha e ultrapassada teoria petista de que tudo tem que estar nas mãos do poder público, ainda que ineficiências crônicas sejam a regra, a sustentação de corporativismos predatórios se fortaleça e o descontrole se estabeleça. As operações policiais e medidas judiciais em andamento deveriam e precisam ser uma oportunidade para corrigir a forma de gerenciar contratos públicos aprimorando-as de forma a se obter racionalidade e produtividade na aplicação de recursos públicos e investimentos privados, tornar mais objetiva a prestação de serviços públicos.

    Assim, o futuro do gigante pela própria natureza nunca esteve tão incerto, como neste momento em que crises políticas e institucionais se associam a crises hídrico energéticas para mostrar que os modelos de gestão pública disponíveis para parceiras com empresas privadas não devem ser encarados como sinônimos de corrupção. Ao contrário, devem passar por correção das falhas e modernização em seus métodos de fiscalização e controle, para que erros não se repitam e de fato a engenharia nacional possa continuar contribuindo para o desenvolvimento tecnológico, técnico, econômico e social do Brasil. A má qualidade dos serviços públicos no setor de saneamento é uma amostra da importância de se meter firme a busca de novos modelos de gestão. Este artigo representa a opinião da ABES.

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