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  • Entrevista com Eduardo Berrettini

    11/11/2015

    Sobre

    Eduardo Berrettini é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), com especialização em gestão ambiental.

    Atua há mais de 20 anos na área de saneamento ambiental, no desenvolvimento de novos negócios e operação de sistemas de água e esgotamento sanitário. Atualmente é membro do conselho fiscal do SINDCON.

     

    Tema

    Novas tecnologias e intercâmbio de informações para o acelerar e melhorar o nível do tratamento dos esgotos e o destino final dos lodos gerados é o tema da entrevista desse mês.

    Com base nos números do ITB – Instituto Trata Brasil, a universalização dos serviços de água e esgoto levarão 20 anos, com investimentos na ordem de R$ 303 bilhões. É um esforço conjunto como veremos nos detalhes da entrevista. De qualquer forma os governantes e principalmente a população está tomando consciência desse trabalho imprescindível para a saúde pública e preservação ambiental, principalmente dos corpos d´água.

     

    Entrevista

    1 – BERRETTINI, NOS FALE UM POUCO SOBRE A SITUAÇÃO DO TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS NO BRASIL.

    Segundo dados do Instituto Trata Brasil apenas 39% dos esgotos gerados no país são tratados, ou seja, de toda a água que é consumida, 39% é destinada a algum tipo de tratamento. Em São Paulo, esse índice sobe para 53%. Para universalização dos serviços de água e esgoto serão necessários investimentos da ordem de R$ 303 bilhões, em 20 anos.

    Muito se fala em investimentos em estações de tratamento de esgotos, mas é preciso lembrar que todas as estações que forem implantadas deverão ser operadas e essa operação tem custo aproximado de R$ 2,50 por habitante.
    2 – NUMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTOS, QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS CUSTOS?

    Essa é uma questão importante e que afeta diretamente a operação das estações de tratamento.

    Normalmente os principais custos são: mão de obra (40% do total), energia elétrica (20% do total), produtos químicos (10% do total), disposição de resíduos sólidos (10% do total) e outros serviços (20% do total). Essa composição de custos vai variar de acordo com a tecnologia e tratamento utilizados, além da qualidade desejável do efluente tratado.
    3 – É POSSÍVEL REDUZIR ESSES CUSTOS? QUAL A CONTRIBUIÇÃO DO SEGMENTO PRIVADO NESSE SENTIDO?

    O desafio para a universalização dos serviços de água e esgoto é enorme, além disso temos que considerar sua manutenção de maneira adequada e em condições operacionais por toda sua vida útil, com investimento em pesquisa e treinamento de mão de obra, lembrando da escassez e custos altos dos insumos básicos para o tratamento de esgotos (energia, produto químico e disposição dos resíduos).

    Com a implementação de novas estações de tratamento de esgoto, os custos com disposição dos resíduos sólidos gerados no processo tenderão a aumentar, uma vez que os aterros sanitários possuem capacidade finita de armazenamento e novos aterros deverão ser implantados em localidades distante, com custos maiores.

    Justamente nesses pontos que a iniciativa privada atua em conjunto com o poder público, eles buscam melhorar a eficiência operacional nos sistemas. A celebração de parcerias com universidades e centro de pesquisas é fundamental na busca de novas tecnologias e soluções voltadas para a realidade brasileira.

    Também acho importante a participação em feiras e eventos nacionais e internacionais, pois neles, os fabricantes de soluções e equipamentos apresentam novidades importantes na busca por uma operação mais eficiente.

    Outro ponto não menos importante, é o intercâmbio de informações entre as concessionárias, como muito bem promove o SINDCON, por meio de seus grupos de trabalho e o ENA – Encontro Nacional das Águas, que acontece bienalmente, pois a maioria dos problemas vividos em uma operação é partilhado pelas demais e a troca de ideias e soluções inovadoras podem ajudar na solução dos problemas, maximizando as boas práticas e os casos de sucesso.
    4 – COMO VOCÊ VÊ O FUTURO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS NO BRASIL?

    Reforço a importância de se estabelecer parcerias com as mais diversas esferas do conhecimento, em especial com as universidades e centros de pesquisa e desenvolvimento, para sermos competitivos.
    É importante também o intercâmbio com países mais desenvolvidos, como Japão, Alemanha e Estados Unidos, além de implantar melhorias aos nossos sistemas.

    Apesar de algumas limitações, principalmente de recursos financeiros, o intercâmbio nos possibilita pular etapas. Por exemplo, hoje investimos em reuso de água, realidade de fato, em diversos países.

    Outro ponto interessante no Brasil é a geração de energia por meio do lodo das estações de tratamento. O lodo seco possui aproximadamente 50% do poder calorífico do carvão e pode ser utilizado como fonte de combustível para gerar energia.

    Num futuro próximo as estações de tratamento serão mais eficientes na questão operacional e também no ponto de vista ambiental.

    O alto custo com energia e disposição dos lodos, demandarão implementação de novas tecnologias. A geração de energia por meio da queima de lodo – uma realidade bastante viável – possibilitará reduzir os custos com disposição final. Estudos de viabilidade deverão ser feitos levando-se em conta os aspectos econômicos, financeiros, técnicos e ambientais.

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