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  • Brasil é o terceiro país no radar de quem quer investir em saneamento

    17/05/2016

    Ranking da Bluefiel Research coloca o Brasil como o terceiro país no radar mundial de parcerias para obras de saneamento básico. O estudo foi apresentado nesta sexta-feira (13) durante o painel “Estruturação e Financiamento de projetos de parcerias”, realizado pela COP (Comissão de Obras Públicas) com correalização do SENAI Nacional, no 88° Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC). O evento foi promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

    Dados do Instituto Trata Brasil mostra que mais da metade das menores cidades do país (60%) não contam com saneamento básico e 80%, não têm coleta de esgoto. Somente nos 18 municípios em estados mais críticos, segundo a EBP, a capacidade de investimentos pode chegar a R$ 16 bilhões.

    “O setor de saneamento aparece como a principal oportunidade de negócios”, afirmou a diretora-geral da EBP (Estruturadora Brasileira de Projetos), Maria Eduarda Gouvêa Berto.

    Para mudar a realidade no país, a estimativa é de necessidade de investimento de R$ 304 bilhões ou em torno de R$ 15 bilhões por ano pelas próximas duas décadas.

    A ampliação dos investimentos em infraestrutura também tem impacto na questão de saúde: “15% das 200 mil mortes por doenças causadas por contaminação poderiam ser evitadas com o tratamento adequado de saneamento básico”, afirma o presidente do conselho Diretor do Sindcon (Sindicato Nacional das Concessionárias Públicas de Água e Esgotos), Giuliano Dragone.

    Participação tímida

    Em todas as áreas, porém, o país tem uma realidade ainda acanhada. O Brasil aparece na 123ª colocação num ranking mundial de infraestrutura. “Para atingir os 20 primeiros colocados, posição hoje ocupada pela Coréia, precisaríamos investir 4,5% do PIB. Hoje a gente está com 2,4%”, afirmou o representante da área de logística do Banco do Brasil Eduardo Flores de Lima.

    Em 2015, as PPPs (Parcerias Público-Privadas) demonstraram que ainda estão longe de ser tratadas como um caminho mais fácil para tirar obras do papel. Segundo a EBP, foram 15 projetos (4 federais e 11 municipais).

    O cenário econômico desfavorável e, sobretudo, os entraves na regulação do modelo são apontados como responsável pela participação tímida.

    “Hoje é mais fácil atender a projetos que não precisam de aporte financeiro público”, afirma Maria Eduarda Gouvêa Berto, enumerando as concessões de rodovias, aeroportos, portos, saneamento básico e iluminação pública como principais áreas que se encaixam no perfil.

    “A entrada de empresas estrangeiras, que parece uma ameaça, nós enxergamos como uma oportunidade”, avaliou o diretor da área de infraestrutura do Banco do Brasil Fabiano Fontes.

    Durante o debate foi levantada também a ideia do uso de debentures (instrument financeiro) para área de infraestrutura. “Na nossa visão precisa tornar este instrumento mais atraente. Mas como fazer com juros tão elevados? Seria importante que as debêntures fossem híbridas com renda fixa e variável”, defendeu o economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.

    Barreiras

    “O crescimento de parcerias na área de infraestrutura tem encontrado dificuldades para ser colocado em prática em função de quatro principais fatores: falta de clareza sobre o marco regulatório; ausência de um padrão de modelagem de leilões; necessidade de uma regra de financiamento dos projetos; e escassez de medidas para dividir responsabilidade sobre os riscos dos projetos”, avaliou o presidente da COP (Comissão de Obras Públicas) da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Carlos Eduardo Lima Jorge.

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