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  • Após investimentos em saneamento, Saquarema recebe etapa do Mundial de Surfe

    10/05/2017

    Saquarema, no Rio de Janeiro, tem recebido muitos investimentos em seus sistemas de saneamento, a partir da concessionária privada Águas de Juturnaíba. O resultado é que a cidade volta a sediar uma etapa do circuito mundial de surfe, conforme matéria publicada em 9 de maio, pela Folha de S. Paulo:

    “Em sua quarta etapa, o Circuito Mundial de Surfe terá como palco o “Maracanã do surfe”. Após seis anos de competições na Barra da Tijuca, onde atletas se queixaram da poluição do mar, a etapa brasileira é disputada a partir desta terça­feira (9), em Saquarema (a cerca de 100 km do Rio). As provas serão disputadas a partir das 7h nas praias de Itaúna e Barrinha, quando as condições forem favoráveis ao surfe.

    No Brasil, Saquarema é considerada a meca do surfe. Descoberta para o esporte na década de 1960, ela se tornou um refúgio para os jovens da classe média carioca que desafiavam a moral e os bons costumes ao cultivar um estilo de vida “hippie”, marcado pelo contato com a natureza, pela música e pelo desprezo pelas noções tradicionais de família.
    Nos anos 1970, quando já havia se consolidado como destino preferencial dos surfistas do Rio, Saquarema passou a sediar as primeiras competições da modalidade.

    Chamados de “Festivais Brasileiros de Surfe”, eles aconteceram no local entre 1975 e 1978, e juntaram o caráter mais profissional que o surfe começava a ganhar naquele momento com a cultura liberal de Saquarema.
    Enquanto a juventude carioca acampava nas areias da praia de Itaúna para acompanhar as provas e shows musicais, nomes como Pedro Paulo “Pepê”, Otávio Pacheco e Rico de Souza despontavam como primeiros surfistas de competição brasileiros.

    “Havia a ditadura militar e a repressão ao surfe. Várias vezes os militares pegaram nossas pranchas, o surfe era quase proibido. Saquarema, então, apareceu como um refúgio para nós do Rio, que vivenciávamos a contracultura. Existia a coisa do surfe, drogas e rock’n’roll, claro, mas por outro lado também começamos a nos preparar como atletas, treinávamos forte”, conta Pacheco, 64.

    “Lembro do choque que tive com aquele cenário de praias selvagens, altas ondas, pessoas lindas e as caixas de som vomitando rock pelas areias de Itaúna. À noite, no estádio local, shows com Rita Lee, Raul Seixas, Serguei e outros craques”, escreveu na época o poeta Chacal, que cobriu o festival em 1976.

    A primeira edição do evento teve 120 surfistas convidados e contou com patrocínio de empresas como Rio Tur, TV Rio e Pan Am, algo raro em eventos de surfe locais.

    “Fomos pioneiros da indústria do surfe. Criávamos as pranchas e testávamos os protótipos, fazendo o trabalho de ‘shapers’ [fabricantes de pranchas] na década de 1970, já que a importação era complicada”, diz Pacheco.

    “Também fomos pioneiros dos patrocínios. O surfe começou a bombar no país com os festivais, e conseguimos marcas nas pranchas de maneira inédita”, completa.”

    Publicado por Folha de S. Paulo

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